Herbário da UPF preserva a memória da flora e impulsiona a pesquisa científica
06.07.2026
Mais do que um arquivo de plantas, o Herbário RSPF da Universidade de Passo Fundo (UPF) é um guardião da história da biodiversidade. Entre seus cerca de 16 mil exemplares, há registros coletados em 1908, décadas antes da criação da Universidade, que hoje ajudam pesquisadores a compreender a flora regional, estadual e até nacional. Há 54 anos, o espaço preserva espécies, forma novos profissionais e contribui para a produção do conhecimento científico, consolidando-se como o maior herbário da região norte do Rio Grande do Sul em número de espécimes.
Criado inicialmente para apoiar as aulas práticas do curso de Ciências Biológicas, o Herbário RSPF expandiu sua atuação ao longo das décadas e tornou-se uma coleção botânica reconhecida internacionalmente. Indexado em redes mundiais de herbários, o acervo reúne exemplares provenientes de diferentes regiões do Brasil e do exterior, além de preservar materiais históricos e tipos nomenclaturais — plantas que serviram de referência para a descrição de novas espécies.
Segundo o professor do curso de Ciências Biológicas e curador do Herbário RSPF, Cristiano Buzatto, essas coleções desempenham um papel fundamental tanto para a pesquisa quanto para a formação acadêmica. "Os herbários, por serem coleções botânicas, são muito importantes justamente para que sejam formados recursos humanos na área da taxonomia vegetal e da sistemática vegetal, porque eles acabam documentando essa flora regional, essa flora mundial, e por isso então servem como material de estudo para essa formação do biólogo, assim como também de outras áreas que atuam na botânica”, explica.
Presentes em todo o território nacional e internacional, o professor pontua que os herbários têm como compromisso guardar exemplares de diversas partes do globo, inclusive, fazendo intercâmbios desses materiais, como forma de ajudar na preservação. “Por isso que nós temos exsicatas que são muito mais velhas que a própria cidade de Passo Fundo, por exemplo”, comenta. E esse compromisso se estende para além da pesquisa acadêmica. Por serem considerados uma grande biblioteca de plantas, os herbários também podem ser consultados pela população em geral.
Por serem materiais muito sensíveis e importantes, a visita pela comunidade é feita a partir do agendamento e do acompanhamento dos responsáveis técnicos. No entanto, o professor ressalta que os herbários não são coleções fixas ou apenas destinadas para consulta local ou pesquisa. “Um dos intuitos que nós temos como uma grande coleção botânica é minimizar um pouquinho da impercepção botânica, ou seja, nós como seres humanos, naturalmente tendemos a cuidar na natureza, principalmente animais, porque nós somos animais e a gente tem uma afinidade muito mais próxima com eles. E por conta disso, as plantas acabam passando despercebidas em muitos momentos”, pontua o professor.
Para minimizar essa impercepção botânica, a Universidade de Passo Fundo participa de iniciativas que ajudam a levar um pouco desse conhecimento para a comunidade em geral, como feiras, eventos e exposições. “Além disso, os estudantes do curso de Ciências Biológicas, em diferentes níveis da sua formação, também realizam atividades dentro das disciplinas que envolvem a botânica, promovendo também uma exposição através da composição de pranchas que nós chamamos de pranchas no estilo Lancaster, onde algumas espécies são registradas, considerando toda a sua morfologia, de uma forma muito ilustrativa e muito colorida, muito chamativa, justamente para chamar atenção do público em geral, também servindo como uma ferramenta para tentar mitigar um pouquinho essa impercepção botânica”, acrescenta.
A história da flora do Rio Grande do Sul
Conforme o professor, o Rio Grande do Sul tem hoje mais de 20 herbários, principalmente em instituições de ensino, como a UPF, que ajudam a entender melhor e registrar a biodiversidade gaúcha. “A rede de herbários, que é composta por todas essas instituições, tende a fortalecer ainda mais que esses herbários busquem fazer um conhecimento geral da sua região. Porque, apesar do Rio Grande do Sul ter uma grande quantidade de coleções, ainda a nossa flora não está completamente catalogada”, comenta Cristiano. Segundo ele, espalhados em pontos diferentes do estado, os herbários procuram fazer esse mapeamento, reconhecimento e catalogação das espécies vegetais nos seus territórios, justamente para que esses arquivos e esses documentos possam ficar disponíveis para a comunidade científica e também para a comunidade em geral.
No próprio herbário da UPF existe o que os pesquisadores chamam de tipos nomenclaturais, que são plantas que foram utilizadas como modelo para a descrição de novas espécies. “Esses tipos nomenclaturais são guardados em pastas mais destacadas por questões de segurança e eles representam para a comunidade científica um espécime que é mais importante do que qualquer outro. Então, são exemplares que são coletados e que são utilizados pelos autores, pelos botânicos, para que essa espécie seja descrita. Isso acaba recebendo um status de muita importância e que pode ser consultado também por toda a comunidade, tanto presencialmente quanto também através das nossas plataformas digitais”, finaliza.
