Pesquisa liderada por estudante brasileira desafia hipótese sobre extinção de organismos marinhos na Antártica
08.10.2026
A estudante e pesquisadora da Unisinos, Bruna Poatskievick Pierezan, por meio do Projeto Paleoclima do ITT Oceaneon, que visa reconstruir as condições climáticas registradas em mares rasos ao redor da Antártida, entre 13 e 65 milhões de anos atrás, fez uma descoberta que vem chamando a atenção da comunidade científica internacional, especialmente na área da Geologia. Durante anos, especialistas acreditavam que não havia registros de crinoides antárticos (organismos marinhos conhecidos como “lírios-do-mar”) entre os períodos Cretáceo e Paleógeno, antes e depois da extinção dos dinossauros.
O estudo, centrado em fósseis encontrados na Ilha Seymour, também conhecida como Ilha Marambio, indica que esses organismos sobreviveram e continuaram existindo sem interrupção entre épocas marcadas por extinções e mudanças globais extremas. A descoberta sugere que a Antártica pode ter atuado como um “refúgio ecológico para a vida marinha” durante uma das fases mais turbulentas da história da Terra.
Enquanto espécies desapareciam em massa em outras regiões do planeta, a vida marinha antártica pode ter resistido sob as águas frias do continente, ainda pouco exploradas do ponto de vista ecológico.
“Esse trabalho mostra que ainda há muitas lacunas sobre a história da vida na Antártica. Encontrar evidências dessa continuidade amplia nossa compreensão sobre como os organismos responderam a um dos maiores eventos de extinção da Terra”, destaca Bruna.
Além de oferecer novas pistas sobre a sobrevivência e a adaptação de organismos marinhos, os resultados da pesquisa contribuem para o entendimento da evolução da fauna na Antártica e podem auxiliar cientistas na identificação de padrões de resistência e recuperação da vida diante de mudanças ambientais extremas.
