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Entre o jornalismo e a literatura: estudante da UCPel transforma vivências em livros

21.05.2026

No Dia da Língua Nacional, celebrado em 21 de maio, a palavra ultrapassa o ambiente acadêmico para ganhar vida na trajetória do estudante de Jornalismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Augusto Eyler Flores. Entre a rotina da graduação e o silêncio da escrita, ele já transformou experiências em obras.


Ele é autor de dois livros, que estão disponíveis para compra na Amazon: Correr para viver e Quando a vida aprende a pintar, ambos lançados em maio deste ano.


A história por trás das tramas


Augusto tem 21 anos e cursa o quinto semestre do curso. Desde cedo, incentivado pela família, ele teve vontade de cursar jornalismo, pela facilidade na escrita e na comunicação. O acadêmico acredita que a comunicação seja a sua vocação. 


A paixão pela literatura veio junto com a vocação. Ele conta que a mãe sempre o incentivava a ler e escrever. Por meio de uma revista, despertou o lado escritor dele. “Quando era pequeno, ia com a minha mãe em uma padaria, que vendia a revista que eu mais admirava. Era uma revista que tratava de vários assuntos, mas os que mais me chamavam atenção eram aqueles relacionados a animais silvestres, videogames, música, etc. Sempre pedia para ela comprar. Depois chegava em casa e eu lia por horas. Isso me faz ter esse sonho de um dia ser um escritor de livros e deixar a minha marca no mundo” inicia.


Inspirações


O escritor conta que uma obra do autor Matthew Quick, o livro O Lado Bom da Vida, tem o inspirado para a escrita. Ele contou também que gosta de livros sobre games, e obras clássicas, como A Revolução dos Bichos de George Orwell. 


No seu segundo livro, Quando a Vida Aprende a Pintar, Augusto fala que buscou inspiração nele próprio para a construção do protagonista da obra, o João, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Augusto busca na Universidade, através dos atendimentos recebidos no Núcleo de Apoio ao Estudante (NAE), um lugar de ainda mais acolhimento.


“Busquei inspiração para a construção do João em três pessoas que têm TEA: eu mesmo, com as minhas dificuldades e vivências do dia a dia, e em dois amigos queridos. Um gosta muito de rap e música urbana. O outro é um pintor muito talentoso. Saiu, então, um personagem muito real e multifacetado”, pontuou.


As histórias


As duas obras de Augusto contam histórias cotidianas. No seu primeiro livro, Correr para Viver, ele conta a história de uma jovem pelotense que é espiã de uma agência internacional dos Estados Unidos. Augusto conta que o nome da agência tem a ver com a sua preferência musical. “No livro, chamo de Project Notorious Punishment (PNP), em homenagem a dois de meus rappers favoritos, e que são minha inspiração na música. The Notorious BIG, e Big Pun, dois grandes nomes do rap de Nova York”, contou.

 

A protagonista é demitida da agência e resolve investir em um sonho e em uma vingança: ser corredora automobilística para vingar a morte do tio. O autor disse que é uma história cheia de reviravoltas, adrenalina e grandes revelações.


O segundo livro, conta a história de um jovem que aprende a pintar e tem o sonho de seguir profissionalmente a carreira. Porém, por ter TEA, seu pai não vê futuro profissional. Ao ser contratado para trabalhar em uma Instituição de Idosos, ele conhece um paciente que o faz refletir sobre seu futuro.


Ele conta que o processo criativo é um dos momentos mais prazerosos para ele, que escreveu o primeiro livro em dois meses e o segundo em um mês e meio.


“Normalmente eu costumo elaborar primeiro todo um roteiro, com o nome dos personagens, história, cenário, elementos e tipo de escrita, para já ter uma noção do que eu vou escrever Depois, coloco em prática. Não é uma tarefa fácil, pois às vezes eu tenho bloqueios criativos, e acabo demorando pra pensar em uma ideia boa. Mas olhando pelo lado positivo, isso é bom porque assim eu consigo pensar com calma e tempo, para, assim, conseguir escrever e entregar um trabalho legal para meus leitores e amigos que acompanham o meu trabalho”, exalta.


Um espaço de acolhimento


Do jornalismo à escrita, Augusto vê a UCPel como um espaço de inspiração e acolhimento. Segundo ele, a universidade, além de espaço de inspiração e criação, é um lugar em que pode ser compreendido e se desenvolver ainda mais.


“Acredito que a minha vivência na UCPel serviu de inspiração para os livros, pois fala sobre encontrar o seu lugar no mundo, fazendo o que gosta e ama de fato, sem se preocupar com a opinião dos outros”, destaca. 


Ele diz que não pensa, no momento, em criar novos materiais. Mas ele se sente muito contente com a repercussão que tem gerado os livros. “Só de ver minha família e meus amigos me elogiando e me parabenizando pela postagem dos livros, já me deixa feliz o suficiente. Sou muito grato pelo apoio de cada um”, emocionou-se.


Ao ser questionado sobre como atrelar o jornalismo à escrita literária, ele conclui que escrever é consertar histórias e, principalmente, se conectar a elas. Este é um ensinamento aprendido no ambiente acadêmico da UCPel que ele leva para a vida.


“Atrelar jornalismo e literatura é transformar fatos reais em narrativas mais humanas e envolventes, sem perder o compromisso com a verdade. O jornalismo traz a apuração, a informação e o contato com a realidade, já a literatura oferece profundidade, emoção e construção narrativa. Quando os dois se unem, o leitor não apenas recebe uma notícia, mas também se conecta com as pessoas e histórias por trás dela. É uma forma de informar e, ao mesmo tempo, provocar reflexão e sensibilidade”, finaliza.

 

Redação: Lucas Pereira

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